quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um café no shopping



Dia desses passei em frente ao espelho e, de relance, me pareceu que ela estava ali. Ela a que me refiro é aquela eu, da qual morro de saudades e da qual me perdi já nem sei precisar quando. Parece talvez um pouco daquele poema de Quintana “da primeira vez que me assassinaram, levaram um jeito de sorrir que eu tinha...”, mas o fato é que um desses dias eu poderia jurar que era ela no espelho. Voltei para olhar mais de perto, mas a imagem fugiu aos olhos e aquela lembrança me doeu fundo no coração.
Doeu mais ainda porque fui levada ate aquele momento por um olhar. Me vi pelo olhar de alguém que conseguiu me enxergar com os olhos do coração, como com uma lupa que consegue rever o assado. Mais que isso. Ele, como excelente historiador que é, foi, e sempre será, me trouxe pedaços tão concretos de mim, historias tão bem documentadas do que era eu, que a imersão em toda aquela historia que se apresentava se tornou inevitavel.
Era a letra, eram sentimentos puros de uma menina tão expressiva, tão intensa, radiante, tão cheia e alegrias, sonhos, preocupações, responsabilidades, carinho, rompantes, e ao mesmo tempo pensar: Que angustiante! eram os meus medos, minhas angustias e minhas frustrações... Tirei dali experiências maravilhosas e das quias tanto me orgulho ate hoje, amizades que guardo, paixões e paixões... Era o começo de tudo... ou o fim de um começo... mais então, se dali parti pra fazer coisas que tanto prezo como dar aulas, fazer eventos, trabalhar em assessoria... onde então eu me perdi? Em que parte da estrada a minha luz e apagou? Aonde foi que aquela menina tão cheia si que ate dava “medo” foi parar?
Eu queria os arquivos, queria os bilhetes, as cartas, os cartões, os poemas... queria ler, reler, sentir um pouco mais de mim, ficar um pouco mais comigo... um tempo mais que um café no shopping... voltei pra casa apenas com um cartão. Cartão que ele escreveu. Não pra mim, mas pra ela. E o cartão dizia assim:

Fábia
Tenho certeza que a minha admiração por você não se acabará junto com essas rosas pois para eu te amar ,basta você existir mas para eu dizer que te amo preciso da delicadeza e encanto das flores que aqui vão eternizadas no splendor da musica e na inconfundível autenticidade das palavras.
Hoje meu sorriso em a cor das “Penas do Tiê” pois você tornou minha vida uma eterna “primavera” repleta de momentos felizes. Por isso, no “êxtase” desse amor eu canto “Ode a Alegria”.
Historiador
12/06/2002

Entre um xicara e outra reforçamos laços, pois ele sempre diz que a vida é feita de laços e tentamos reler o que ficou nas entrelinhas de uma historia de carinho de admiração que não terá fim. E hoje eu so quero dizer a este grande homem Muito obrigada! Obrigada pelo carinho de sempre. Pela confiança. Obrigada pelo apoio profissional de antes e de agora. Minha admiração só cresce.

Sempre as ordens para mais uma xícara de café no shopping

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