Quando guri, eu tinha de me calar,
à mesa: só as pessoas grandes falavam.
Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado
para as crianças falarem.
Para meu Pai
e
Para Miguelzim ou Mariazinha,
Que receba, desde já, o carinho de quem o (a) espera desejando todo o amor desse mundo!
Fábia Adriana Vieira
O Balanço

Certo dia cheguei a casa do Mário segurando uma grossa tábua de madeira com dois buraquinhos de cada lado. Certa que faria uma grande surpresa para minha amiguinha Lili, que jamás descobriria o que era aquilo.
Assim que me viu, Lili, que estava brincando de escolinha com sua a amiga (ou melhor, sua bffs), Claudinha, correu e me deu aquele famoso abraço de quebrar as costelas.
-Que saudade, tia!
-Oi meu amor, também senti muito a as falta!- Respondi.
- E isso e pra mim, tia? – Perguntou ela apontando para a madeira.
-É sim, meu amor! Adivinha o que é???
E antes que eu tivesse qualquer atitude, ela pegou a madeira e disse:
- Olha, Claudinha, já temos a mesa de chá. Eu pego o bule e você as xicrinhas... E correram as duas para o quarto.
Quando o Mario entrou no quarto para avisar que as cordas já estavam amarradas na árvore, estávamos as três tomando chazinho na mesinha:
- Vim buscar o balanço para pendurar na árvore, disse ele surpreso com a cena.
-Bom, o balanço vai ter que esperar, porque os bolinhos estão uma delícia. Respondi.
-Noosa, tia, era uma balanço?
- era sim, meu amor!
-Que legal, né, Claudinha, dois presentes em um! Disse a pequena
E rimos todos muito satisfeitos.
Depois do chazinhos, penduramos o balanço e brincamos a tarde inteira nele. Ora eu empurrava a Lili, ora a Claudinha, ora elas me empurravam e ao empurravamos o Mário...
Lili e Claudinha disseram que amaram a surpresa, mas mais surpresa fiquei eu, que entrei com uma simples tábua e mão e fui recebida com o melhor presente do mundo: o amor, capaz de transformar um pedaço de madeira num brinquedo lindo de se viver.
PS:
Também ganhei um balanço de madeira do meu pai, que ele amarrou numa arvore bem na frente lá de casa. A árvore nem existe mais, já não lembro como o recebi, mas lembro o quanto eu, minha irmã e nossa amigas nos divertimos.
Também ganhei um balanço de madeira do meu pai, que ele amarrou numa arvore bem na frente lá de casa. A árvore nem existe mais, já não lembro como o recebi, mas lembro o quanto eu, minha irmã e nossa amigas nos divertimos.
Também pensei em quantas vezes na vida meu pai me surpreendeu com “pedaços de madeira”, me permitindo viver esta vida linda que construí pra mim...
Obrigada, Papai!


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