Dia desses eu acordei numa ressaca homérica enrolada num lençol todo desfiado, meu cabelo fedia a cigarro e eu não fazia a menor ideia de onde estava. A moça que me acordou falou algo mais ou menos assim: “Fia, o meu irmão disse pra Mim te emprestar uma muda de roupa tu ir mais eu pegar o sarapatel na mana. Há, e tá faltando água, mas eu botei um copo com água pra tu jogar na cara, viu!
Putz! Olhei no relógio e eram seis horas da manhã. Minha cabeça doía, minhas roupas tinham sumido, num sabia quem era aquele povo, mas por algum motivo não fiquei assustada nem desconfiada. So me zanguei porque não achava meus óculos e ainda por cima não tinha água. E se tem uma coisa que eu detesto é ter de trocar de roupa sem tomar banho. Mas as coisas ainda iam piorar. Quando perguntei pelas minhas roupas, a moça simplesmente disse: “a mãe lavou e ta secando, mas pode usar aqui essas minhas”.
Quando eu olho pras roupas... um top azul de tomara que num caia mais justo que Deus, uma saia vermelha modelo “roubei da minha irmã caçula”, um tamanquinho de acrílico 39/40 (uso 35/36) de salto que faz tec e dói na lombar. Olhei para o vestido que ela usava e sorri sinceramente agradecida.
Fazer o que?! Após tanta gentileza e com a cabeça super confusa voltei do banheiro e ela me deu a chave do meu carro para seguimos para a casa da tal Mana, viagem que faríamos diversas vezes seguidas naquele dia, pra pegar cerveja, carne, gelo, etc, além, claro de pegar e levar bêbados. Fora um que vomitou no Meu carro mas deixa quieto porque o povo lá valou.
Sim, mas cronologicamente contando, ela foi dirigindo, lógico! No caminho, teve a oportunidade de me explicar que seu nome era Dita e naquela noite eu tinha ido parar lá no sitio com um grupo de amigos de seu irmão e que naquele dia era aniversário dele e teria uma grande festa com pagodão e direito a toda Ada possível: panela, buchada, feijoada, cervejada, caranguejada, galinhada e ate maconhada, pra quem gosta. Pense! O mais legal estava por vir: Na festa só não tinha cadeira... Show!
Ai eu pensei: “tranquilo, deixo a moça e invento uma desculpa vou embora, sumo desse pesadelo, esqueço tudo isso e ninguém nunca mais sabe de mim. Super normal”. Ai a Dita começa a discorrer da alegria de todos pela minha presença, de o quanto o irmão dela esta feliz de eu estar lá, de como fulana, sicrano e beltrana gostam de mim, e a mãe dela tinha ate chorado porque eu a chamei de tia... detalhe: num conheço ninguém de quem ela tá falando e, pra dizer a verdade nem lembro como fui parar nesta situação, e o mais estranho: apesar da dor de cabeça, o quanto estou tranquila com tudo isso.
Enfim, de volta definitivamente ao sitio, cumprimentamos diversas turmas e ela parou junto a um grupo enorme bem em frente ao palco do pagode, próximo as caixas de som, ao lado de uma churrasqueira com carne de porco e bode, onde observei temerosa a aproximação um cara muito feliz com dentes entramelados e sujos de feijão e alface que sorria e falava espalhando farofa pelo salão. Ai Deus, seria o aniversariante? Fiquei sem saber porque o cara caiu duro e seco bem nos meus pés e os outros cuidaram de sumir com ele. UFA! Baixei a cabeça e sai me esquivando depressa de um e outro.
Perto dali, rapazes até bem simpáticos, fortinhos e sorridentes, vestindo apenas calça jeans e chinela japonesa branca ou verde, equilibravam seus copos de cerveja mostravam seus pacinhos ensaiados enquanto surravam o cós do jeans no chão de terra batida. Bonitinho de ver e comentar com as amigas, mas como tinha perdido até a Dita de vista, sem amigas é meio tipo pegar Sharon Stone numa Ilha e não ter pra quem contar... adiantei o passo e corri pra tentar chegar de volta até a casa.
Tinha uma turma mais afastada, sentada no chão bebendo, fumando e filosofando sobre a grandeza da força das águas da chuva ao riscarem o azul do céu... passei foi longe. Outra turma se movimentava mais próxima aos carros ouvindo forro bem alto, tentando competir com o som oficial da festa. Dizer o que...
Segui para dentro da casa na esperança de achar um cantinho mais calmo e um copo de água para engolir um remédio. Mas ai decidi pegar meu carro e ir embora. Só que eu nem sabia onde eu estava nem pra que lado era o tal embora porque dali pra casa da Mana nem placa tinha.
Ai eu fiz o que toda mulher independente, decidida, positiva e afirmativa faz quando se vê em situações como esta: entrei no meu carro e chorei até não poder mais.
Fim da parte 1
Parte2
E foi nesta situação, com a cara inchada, desesperada, desolada, que ouvi baterem no vidro do meu carro. “Meu Deus, finalmente a encontrei. Abre a porta por favor!”
Era um Homem muito bonito, ar sereno, mas visivelmente preocupado, que ainda assim me passava muita confiança. Abri a porta do carro e ele me abraçou de uma forma que me fez acreditar que dali pra frente tudo ficaria bem.
Primeiro ele perguntou se eu estava bem e com a minha afirmativa começou a explicar que aquela era a casa de sua tia e que o primo dele, o aniversariante, tinha me dado um remédio pra eu dormir e tinha me trazido pro sitio no meu carro, com o objetivo de fazer com que ele viesse atrás de mim e ficássemos ambos para festança. “Uma brincadeira muito da sem graça, por sinal”, ressaltou ele. Quando ele foi avisado pelos colegas pegou o carro e veio nos seguindo e chegando no sitio despertei e conheci sua tia. Como eu ainda estava muito sonolenta preferi continuar dormindo no quarto dela, so que acabei cochilando na rede do filho dela enquanto ela arrumava a cama pra mim e ele preferiu me deixar dormindo, tendo ficado o resto da noite num colchão do meu lado. Minha roupas foram trocadas comigo acordada porque o imbecil do aniversariante tinha derramando vodca em mim na viagem... pense!
Pela manhã, com a falta de água, (aliás, causada porque um bebum quebrou um cano, sabe Deus como), ele, que é engenheiro, foi lá tentar arrumar e quando voltou não me encontrou mais porque o imbecil do primo, achando pouco o que fez, pra evitar que ele fosse embora, me mandou pra cidade, pra ele ter que ficar me esperando, e eu, coitada, sem noção de nada, indo e voltando.
Aos poucos fui lembrando que aquele homem tão atencioso era um amigo de uma colega de trabalho por que eu era simplesmente encantada, so que eu jamais ia ter coragem de dar qualquer indireta porque ele era simplesmente O CARA. Já tínhamos nos visto muitas vezes em viagens e situações profissionais, nada mais que trocas de olhares, sorriso, esbarrões, gracejos, delicadezas, cafezinhos zelos e atenções, mas nada além. Na noite anterior tínhamos, eu, ele e uma turma grande que tinha trabalhado no evento combinamos de ir até um barzinho exatamente para comemora o aniversário do tal primo.
Nós estávamos nos entendendo mais que bem e como eu estava de carro e ele também, combinamos de dividir mais um refrigerante. O assunto tava muito afinado, parecia que so tinha a gente La. O clima ta super gostoso e todo mundo falando de ir pra esse sitio, mas ele, que ia fazer um curso no dia seguinte, já tinha despachado a tropa. Mas tinha perguntado se eu me importava de ficar conversando mais um pouquinho... imagina.
Eu só sei que ele tirou da carteira um bilhete todo amassado com o meu nome digitado e pediu pra eu ler. Dizia mais ou menos assim:
Eu não sei se você acredita em alma gêmea, mas eu sim. Eu sempre soube que era você, só tive que esperar que você também me soubesse. Se você esta lendo isso é porque este dia finalmente chegou então mata o meu desejo e vem ficar comigo.
Só que depois disso não lembrava de nada até a hora que acordei naquela rede...
Agora, eu, orgulho ferido, perdida naquele lugar estranho, me sentindo totalmente desamparada, nos braços daquele praticamente estranho que no entanto me parecia a única coisa certa a ser feita em toda a minha vida.
Fim da parte 2
Parte 3
Fomos embora pra casa e fomos felizes para sempre e nas minhas histórias não poderia ser diferente!
FIM
PS:
Na verdade num foi sonho não, foi só a minha forma de explicar minha visão de céu e de inferno
Sonho lúcido, ou seria pesadelo lúcido
Freud explica?
PS2: Minha Irma psicóloca disse que conhece esse povo do sitio e sabe ate o endereço desse pagode, então, por garantia vou rezar uma Ave Maria e um Pai Nosso pra alma de cada um pra gente num ir pro mesmo lugar, Ne!
PS3: Nada não, é só que eu ADORO PS. kkkkkkkkk